história do Bonfim Salvador

História do Bonfim, Salvador: Igreja do Bonfim, Fitinhas e Arquitetura Colonial

Por Equipe Rolezero · Atualizado em 19/05/2026

Em resumo: A história do Bonfim, Salvador, é indissociável da Igreja do Bonfim, construída em 1745, e das fitinhas que se tornaram símbolo de fé no Brasil. O bairro preserva arquitetura colonial com influência portuguesa e barroca, e cada canto da Colina Sagrada conta uma parte da formação religiosa e cultural da Bahia.

Igreja do Bonfim: Arquitetura e Devoção desde 1745

A Basílica do Senhor do Bonfim, no topo da Colina Sagrada, foi erguida entre 1745 e 1772 pela Irmandade do Senhor do Bonfim. A fachada em estilo rococó, com duas torres laterais e azulejos portugueses azuis e brancos, é um dos exemplos mais preservados de arquitetura religiosa colonial no Brasil. O interior impressiona pelos altares em talha dourada e pelas pinturas no teto da nave, que retratam cenas da vida de Cristo. A visitação é gratuita e a igreja abre diariamente das 7h às 12h e das 14h às 17h.

O que poucos guias contam: a igreja originalmente não tinha a escadaria atual — ela foi construída em 1872 para facilitar o acesso dos fiéis. Antes disso, a subida era por uma ladeira de terra batida. A escadaria tem 26 degraus, cada um com um significado simbólico ligado aos passos de Cristo. Durante a Lavagem do Bonfim, as baianas lavam exatamente esses degraus com água de cheiro, num ritual que mistura catolicismo e candomblé.

A História das Fitinhas do Bonfim: Lenda e Tradição

A tradição das fitinhas do Bonfim começou em 1809, quando o português Manoel Antônio da Silva trouxe de Portugal uma imagem do Senhor do Bonfim e fitas de seda para enfeitar o altar. Com o tempo, os fiéis passaram a amarrar as fitas no pulso como símbolo de proteção. A versão moderna, de algodão, surgiu na década de 1950 e custa entre R$ 2 e R$ 10 nas barracas ao redor da igreja. A regra é clara: dê 3 nós no pulso, fazendo um pedido a cada nó, e use a fita até que ela se rompa sozinha — só então o pedido será realizado.

Uma dica de insider: as fitinhas vendidas dentro da igreja (na loja da Irmandade) são abençoadas pelo padre e custam R$ 5 — as mesmas fitas nas barracas da rua são mais baratas, mas não têm a bênção. Se você quer a experiência completa, compre dentro da basílica. E não caia no mito: a fita não precisa ser amarrada no braço direito ou esquerdo — vale qualquer pulso, desde que os nós sejam firmes.

Arquitetura Colonial e Urbanismo do Bonfim

O Bonfim preserva um traçado urbano típico do século XVIII, com ruas estreitas de paralelepípedo e casas sobradadas na Rua do Bonfim e na Ladeira do Bonfim. Muitos imóveis foram reformados, mas ainda é possível ver fachadas originais com azulejos portugueses e janelas de guilhotina. A Praça do Bonfim, com seu coreto de ferro fundido (datado de 1910), é o ponto de encontro central e abriga a feira de artesanato aos domingos.

Diferente de bairros como o Santo Antônio Além do Carmo, que passou por forte revitalização turística, o Bonfim manteve um caráter residencial e comercial de baixo impacto. Isso significa que a arquitetura não é "maquiada" para visitantes — você vê o casario como ele é, com marcas do tempo. A Rua do Bonfim concentra os imóveis mais antigos, muitos do final do século XIX, com portas e janelas em madeira maciça. Uma caminhada de 15 minutos por essa rua revela detalhes que passam despercebidos de carro, como as argolas de ferro para amarrar cavalos, ainda visíveis em algumas calçadas.

História do Bonfim: Vale a Pena Conhecer?

Para quem se interessa por história religiosa e arquitetura colonial, o Bonfim é um dos bairros mais ricos de Salvador. A Igreja do Bonfim é um monumento nacional tombado pelo IPHAN desde 1938, e a tradição das fitinhas é reconhecida como patrimônio imaterial da Bahia. O bairro não tem a grandiosidade do Pelourinho, mas oferece uma experiência mais íntima e menos comercial. O custo é baixo (entrada gratuita na igreja, fitinhas a partir de R$ 2) e a visita pode ser feita em 1 a 2 horas. Se você quer entender a alma religiosa de Salvador, o Bonfim é parada obrigatória.

Dicas Práticas para Explorar a História do Bonfim

  • Visite a igreja entre 8h e 10h para evitar o calor e a multidão de turistas — as missas são abertas ao público e gratuitas.
  • Leve uma câmera para fotografar os azulejos portugueses na fachada — eles têm cenas bíblicas e são raros fora de Portugal.
  • Compre as fitinhas dentro da igreja para garantir a bênção — a loja da Irmandade funciona de terça a domingo.
  • Combine a visita com o Museu do Bonfim (ao lado da igreja), que exibe ex-votos e objetos históricos — entrada gratuita, aberto de terça a sábado.
  • Desça a Ladeira do Bonfim a pé e observe as placas de rua originais, algumas ainda em português antigo, como "Rua do Bonfim" em calçamento de pedra.